Grude

Ela era uma ex-post-it, que tinha perdido o seu emprego em um escritório de contabilidade ao ver-se desprovida de sua capacidade de grudar. Tornou-se assim apenas um pedacinho de papel amarelo.Foi depois tentar ganhar a vida como confete, mas era quadrada demais para isso.

Não cola, diziam-lhe os outros confetes, fazendo troça dela enquanto, rindo coloridamente, eram jogados das mãos de um arlequim em direção a uns foliões que brincavam o Carnaval na Rua Augusta.

Passou a viver jogada na sarjeta, em meio a bitucas de cigarro que por ali também caiam. Conseguiu alguma amizade com aquelas que tinham marcas de batom. Ainda assim, sentia-se sozinha, abandonada, triste. 

Numa noite de sábado, um chiclete mascado caiu ao seu lado, jogado por… alguém: não deu tempo de ver: passou muito rápido, a rua estava cheia e escura àquela hora.

Olharam-se e foi amor à primeira vista. Vivem grudados até hoje naquela sarjeta da esquina da Augusta com a Dona Antônia.

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