A praça 

Eram seis da tarde quando os sinos da igreja começaram a ribombar, num ir e vir lento e pesado, anunciando à população que era chegada a hora de reunirem-se, na pracinha ali em frente, para a roda de samba de todo dia.Por volta das seis e meia, a praça já estava tomada de gente cantando, numa alegria tamanha que até os santos da igreja desceram de seus pedestais, despiram-se de suas santidades castas e foram juntar-se ao povo para cantar e dançar. Uma lua cheia, com cara de bem nutrida, iluminava a praça, e sua luz cuidava de limpar quaisquer manchas de tristezas dos rostos da gente que por ali comparecia.

Esta roda de samba, em específico, segundo o que se anunciava, seguiria pela noite afora, com os músicos e cantores revezando-se na liderança da festa, até o raiar do dia seguinte, quando, junto com os raios do sol, esperava-se, chegaria também a revolução.

Mas o dia seguinte amanheceu nublado e chuvoso e encontrou vazia a praça em frente à igreja.

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