Bom dia

Era sábado, bem cedo, o sol nem bem tinha nascido e já encontrávamos Seu Bondia acordado, fazendo seus alongamentos matinais ao lado da cama, de frente para a janela aberta do quarto. Mesmo nos finais de semana, a força do hábito o impedia de ficar dormindo até mais tarde. Logo mais, concluídos os alongamentos, também por imperativo do costume ele sairia de casa para ir à padaria da esquina, tomar um café preto acompanhado de um pão na chapa, e depois, dali, seguiria até a lotérica do bairro para fazer a sua tradicional fezinha de toda semana. Há anos, ele vem apostando sempre a mesma sequência de números; quando muito, acertou um ou outro, de forma isolada, nada portanto que lhe permitisse ver a cor de qualquer premiação, mesmo que mínima. A despeito dessa má sorte no jogo, sempre considerou-se um privilegiado na vida. Figura bastante conhecida e querida por todos na pequena cidade onde vive desde quando nasceu, Seu Bondia não passa um dia sequer sem receber um bom dia em dose dupla daqueles que cruzam com ele em suas caminhadas matutinas diárias pela cidade.– Bom dia, Seu Bondia.

Dizem, sempre que o encontram.

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